sobre blog

Sabe quando amigas se reúnem para ter uma noite só de gurias?
Que conversam sobre tudo, com comidinhas e bebidinhas gostosas?
Aquela noite cheia de segredos e boas risadas?
Chamamos isso de Noite Mulherzinha!

E é esse papo bem humorado que vamos trazer pra cá.
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Taxiii

Quando vim morar na Argentina sabia meia dúzia de palavras em espanhol. Nunca estudei a língua e o pouco que sabia era de escutar o Pablo falar. Depois de uns meses morando aqui a compreensão estava tranquila, sabia ler e até escrever algumas coisas, mas falar foi sempre minha dificuldade. Talvez por que com o Pablo falo em português.

Com uns 6 meses comecei a tentar a falar... e foi muito difícil. Tinha pessoas que me entendiam super bem e outras que não entendiam nada. Nunca tinha certeza se estava indo bem ou mal. Com um ano de vida Argentina é que realmente comecei a falar bem (uns 75%), sobrevivo e já até consigo falar por telefone (coisa que até ano passado me dava pânico).

Minha maior dificuldade até hoje são os “erres”. Aiiii que difícil. Perro (cachorro em espanhol) é a palavra mais difícil pra mim. Hoje em dia faço tudo praticamente sozinha e pegar taxis é a coisa mais divertida pra mim, já explico por que:

Quando pego um taxi e tenho que ir para ruas com o nome “Salta” ou “España” não acontece nada, é uma corrida normal em um taxi normal. É divertido quando tenho que dizer ruas do tipo “Dorrego y Entre Ríos, por favor,” o taxista me olha pelo espelho e me pergunta “Tu não é daqui né?” Não, sou brasileira. E pronto.... Muitas histórias para contar.

“Por que a Argentina?”
“Por que Rosário?”
“Veio estudar?”

Daí começa a maratona de perguntas. Quando não estou a fim de conversa digo que vim estudar medicina e pronto. Afinal 30% da faculdade de medicina de Rosário são de alunos Brasileiros. Os taxistas estão acostumados e não perguntam mais nada.

Mas minha diversão hoje em dia é contar historias, inventar coisas e fazer aflorar meu lado atriz.
Já inventei que era do Rio de Janeiro, que era turista, que vim a trabalho por uma empresa multinacional, que queria só ir morar em um lugar diferente e etc.

Mas a ultima conversa foi a mais divertida:
- Hola, a donde vas?
- Entre Rios y Tucuman, por favor.
- Você não é daqui né?
- Não, sou brasileira.
-Veio estudar?
-Não, vim gravar cenas da minha próxima novela (aproveitei que estava linda indo para uma festa e estava arrumadinha).
-Você é atriz? De novela brasileira? (Eles amam novelas brasileiras, principalmente Avenida Brasil)
- Sim. Há pouco tempo passou uma novela que eu participei aqui, Avenida Brasil, conhece?
-No me digassss. Agora te olhando eu me lembro de ti da novela.

Sorri, me pediu um autografo e desci do taxi. (O caminho era curto, se não ia ter que inventar um roteiro inteiro). Queria saber com que ele me achou parecida. Afinal estou mais pra Carminha que para Nina. 

Agora sou famosa na Argentina, para um taxista pelo menos.

Sobre gostar de ler

Por quase todos os anos em que estudei, fiz isso em escola pública. Nunca tive horror a ler, mas também nunca fui estimulada com bibliotecas recheadas de livros em minhas escolas. Contudo, fazia o que pudia. Leituras de lazer acontecerem de forma heróica por parte da família com alguns títulos infantis.

No Ensino Médio fiz o curso Normal ( ou magistério se preferir ) e minha professora de literatura fazia um esforço gigante para fazer com que nos interessássemos pelo livro didático de literatura que nada servia de estímulo para gostar dos clássicos brasileiros.

Quando veio o vestibular, a mágica foi feita através dos incríveis resumos que os professores contavam e disponibilizavam pra gente dentro do cursinho.

Enfim, prestei vestibular pra UFRGS e fiz ENEM sem ter lido um clássico, sem ter um livro favorito. O máximo que sabia de alguma obra de  Machado de Assis era o filme Memórias Póstumas de Brás Cubas, que assisti no cinema com as colegas e a esforçada professora de Literatura. Cheguei a maioridade, com 19 anos assim: sem ter lido um livro sequer daqueles esperados para minha idade.

Foi então que, no meu estágio do curso Normal, surgiu uma febre entre meus alunos de 8 anos. Um Bruxo que entrava em uma escola de magia e dominava todos os materiais escolares, e assuntos do recreio. Harry Potter era o assunto da vez e as crianças pediram para ver o filme com os colegas na escola.

A professora maluquinha aqui, montou todo um plano pedagógico que contemplasse o pedido das crianças, com outros textos, outras atividades e até brincadeiras. Deixando a parte pedagógica de lado, o fato é que o tal bruxo de 11 anos me pegou de jeito e, depois de assistir o primeiro filme, já fiquei louca pra assistir o segundo. Talvez pelo universo escola, pelo fato de se passar em castelos, de lembrar um pouco a era medieval, o contexto realmente me pegou.

Assistido o filme 1 e 2, sabia que o 3 estava em fase de produção. Mas levaria mais de ano para chegar aos cinemas.

Entrei pra PUC e lá descobri a incrível biblioteca que me ofereceu a possibilidade de ler aquilo que o cinema me traria só depois de um ano. E se era para ler, iria começar do primeiro. Foi então que li o livro 1, quinze dias depois devorei o livro 2, e finalmente conheci a história do livro 3 totalmente envolvida em um texto muiiiito melhor que o filme. Peguei o livro 4 emprestado, mais de 400 páginas. Nessa altura, já lia muita coisa para faculdade com grande facilidade, afinal, quem lê 400 páginas de lazer em 15 dias, trabalhando e estudando, consegue ler um livro de leitura obrigatória com 100 páginas em uma noite.


O livro 5 estava na lista de espera, 15 pessoas na minha frente, que poderiam ficar 14 dias cada um com o livro. Ou seja, demoraria muito para eu ler se eu fosse pegar emprestado na PUC.

Comprei o livro, e então surgiu outra paixão, as livrarias!
Quando lançaram o livro 6 em português, Já me considerava uma fã. Li em três dias. E por fim, o livro 7, não aguentei esperar o lançamento. Li da internet, uma versão que foi fotografada da gráfica em inglês e traduzida por fans em português. Li todo ele no meu computador.

Um pedaço da minha coleção de livros

Entre um HP e outro, fui gostando e aprendendo a ler outros tipos de literatura. Confesso que ainda não li Machado de Assis, mas, já li tantas outras coisas. Claro que ainda preciso e quero aprender a ler poesia, um desafio talvez. Contudo, Harry Potter sempre ficará na parte mais nobre da minha biblioteca, pois, foi com ele que todos os outros vieram fazer companhia para ele.




Sobre a magia da noite

Acho que nunca, nunquinha mesmo, vou me acostumar em acordar de manhã cedo. Faço, por que trabalho com crianças e crianças acordam cedo, e por isso vão à escola e lá precisam de professores.

Meu momento de produção intelectual sempre acontece depois das 20h. Estava tentando entender o motivo disso e me observando e trabalhando o pensamento sobre o meu pensamento, cheguei à conclusão de que é a hora do dia em que meu cérebro está ligado a mil. Não interessa se eu acordei às 5h da manhã, depois das 20h acontece uma explosão de ideias e pensamentos na minha cabeça, que borbulham assim que o Sol se põe.

Tudo bem que as ideias nem sempre são produtivas. Algumas vezes são ideias loucas, bestas, sem sentido, outras são ideias maravilhosas que estão ou não voltadas ao trabalho.

A noite me encanta (ainda mais nesses tempos de verão) pois não está tão quente. A cidade para, o silêncio inspira, os ruídos todos se vão e posso me ouvir mais e nitidamente.



Melhor seria se eu pudesse, além disso, fazer a faxina da casa de noite e madrugada, mas, apesar da minha vizinha de cima praticamente fazer aula de jump e varrer o chão com escovão de aço perto da meia noite, respeito meus vizinhos.


Pela noite, não preciso me preocupar se estou a 8 horas trabalhando nas minhas ideias sem comer, já não há mais atualizações no facebook e conversas inbox pipocando. Sou eu, o barulho do teclado, os livros, os textos, os vídeos e aquele ventinho que só a madrugada sopra pela janela.

O marido não curte muito, chama quando percebe que são 2h da manhã e não fui dormir...
Se não fosse ele, acho que viraria uma coruja!

Estudar, só que não.

“La pregunta de orden estético por las formas irrumpe en el pensamiento contemporaráneo desde distintas vías”. La pregunta que?

Sim, eu deveria estar estudando, mas vim aqui escrever um texto para o blog.

E tem gente que e me diz que estudar fotografia
é "só" tirar fotos

Comecei a estudar às 9hs da manhã, são 14hs e sigo na mesma pagina de um mesmo texto. Pra mim não existe coisa mais chata que ler textos chatos (os textos do blog são legais né?). O tema pode até ser legal, mas não consigo acompanhar o texto com frases “esferas teóricas”, “politica moral”, “a excisão entre filosofia y poesia”. Se tiver a palavra “filosofia” já sei que vai ser difícil para a minha cabeça.

Adoro ler. Mas sabe aqueles textos que tu começa um paragrafo e quando terminam as cinco linhas tem que voltar a ler o mesmo. Ou quando tu leste uma folha inteira de um poligrafo, olha para o lado e quando olha outra vez para a folha não faz ideia o que estava lendo? Poisé, to assim.

Já não sei mais o que fazer para ler esse texto. Tento me concentrar, lendo em voz alta cada palavrinha. Mas no meio da leitura começo a pensar sobre uma matéria que vi na internet e quando me dou conta estou lendo uma coisa, pensando em outra e já foi metade de uma folha. E o que acontece? Volto para o inicio.

Estou tipo jogos de tabuleiro, quando acho que estou indo longe caio na casinha do “volte para o inicio do jogo”. Não da vontade de brincar assim.

E parece que tudo fica mais interessante quando se tem que estudar. Já viram isso? Se eu pudesse estar lavando louça em vez de estar estudando acho que estava mais feliz (e olha que odeio lavar louça). Enquanto comecei a ler esse texto para a faculdade já fui à farmácia, lavei o tênis do Pablo, fiz chimarrão, tirei minhas cutículas e já escrevi dois textos para o blog. Só não consigo sair da primeira pagina do texto.

E a prova é amanhã. Vou pular esse, tenho mais três para ler. Espero encontrar um mais interessante. E quando terminar os outros volto como cão arrependido com o rabo entre as pernas, por que não tem jeito. Ele vai estar na prova. E pode ter certeza, a questão de maior valor vai ser a dele. Oremos.



Ps.: A prova foi semana passada. Hoje recebi a nota... Foram 5 perguntas, acertei 4. Advinha qual a que eu errei? Justo. Pelo menos aprovei. :)



 
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